LBI – AS IRACEMAS DO MARXISMO

POR QUE DEBATER com uma organização irrelevante para o movimento operário?

calango (1)

 

Em primeiro lugar, trata-se de um caso de amor não correspondido. A Liga Bolchevique Internacionalista (que, como já dissemos, não é liga, nem bolchevique e, muito menos, internacionalista), cujo nome fantasia revela apenas a fantasia que passa pela cabeça de seus quatro militantes, tem um caloroso apreço pelo Partido da Causa Operária, onde essa “liga” nasceu, e de onde saiu para curtir ao sol das lindas praias do Ceará.

E ali permaneceu por uns anos, de papo para o ar, roubando energia do sol. Então, enfadados da areia, da água de coco e das patas de caranguejo, resolveram voltar à política.

E os pecilotérmicos, com o sangue arrefecido pelo sol do Ceará, reuniram-se para formar uma corrente política. Mas jamais conseguiram libertar-se de seu atavismo embriológico: uma vez calangos, sempre calangos.

Como todo calango, os bolcheviques do Ceará precisavam de um sol para abastecer-se; caso contrário, o sangue esfriaria. De início, buscaram uma política própria. Como tudo o que sabiam do marxismo e do trotskismo haviam-no aprendido no PCO, passaram a buscar no próprio PCO novas ideias.

Não é de admirar que, hoje, ao consultar o bloque da LBI encontramos nada menos do que quinze menções ao PCO, duas a Causa Operária (que é a mesma coisa) e cinco a Rui C. Pimenta (que também é a mesma coisa). Total: 22 citações em apenas uma página ao Partido da Causa Operária.

Na falta de uma política própria, utilizam a política de outra organização. Mas utilizam-na sem propósito algum, uma vez que não fazem política, fazem fofocas.

Tratemos da política antes de tratarmos da fofoca.

É consenso, entre os antigos militantes de Causa Operária que aqueles que formaram a LBI deixaram a organização não porque não concordavam com a política dela, pois a subscreveram no congresso dela; deixaram a organização porque queriam voltar para o Ceará. Dois anos depois, apenas, fundaram a LBI, com o seguinte programa:

“Nossa organização tem origem em um núcleo saído das fileiras da OQI (Jornal Causa Operária). Nossa ruptura está fincada sob a defesa incondicional do Estado operário soviético. A OQI, sob o peso da herança do lambertismo, analisou que a dissolução da ex-URSS, assim como a anexação capitalista da Alemanha Oriental, foram fatos progressivos para o proletariado mundial.”

Em primeiro lugar, os fundadores da LBI, em momento algum fizeram uma “defesa incondicional” do Estado operário soviético. Fizeram uma defesa fraca e concordaram com a análise da organização. Deixaram a organização porque queriam praia. Eis toda a verdade.

E, depois de dizerem bobagens como “a dissolução da ex-URSS” (pois é impossível dissolver o que já é “ex”), prosseguem com outras bobagens mais:

“A destruição dos estados operários e o fim do estalinismo não foi produto da ação revolucionária das massas, ao contrário, é fruto da contra-revolução burguesa mundial, colocando como tarefa a todos aqueles que reivindicam o legado de Lenin e Trotsky, o combate pelas conquistas históricas da revolução.”

A destruição dos Estados operários não foi produto nem das massas nem da contrarrevolução: foi produto do desmoronamento da burocracia estatal que comandava aqueles países. E esse desmoronamento foi catalisado pela crise dos próprios países capitalistas. A República Democrática Alemã já fora absorvida pela República Federal Alemã muito antes da queda do muro de Berlim. O desmonte da União Soviética teve início quando Mikhail Gorbachtchov assumiu o poder. A queda do Muro e o decreto de Boris Iéltsin (independência da Rússia) foram apenas o golpe de misericórdia dado a uma situação de fato.

E, então, a LBI nasceu. Nasceu sob o signo da defesa dos Estados mortos. Nasceu morta. Foi um aborto espontâneo de Causa Operária.

E, hoje, com sua política zumbi, A Liga Cearense, a “Lampions-League”, vive a pesquisar as páginas de antigos jornais Causa Operária buscando pormenores que podem ser utilizados como argumentos contra a política vigente do Partido. Por exemplo:

“… o PCO anunciava em seu delírio amplamente conhecido entre a vanguarda: “12 de abril: Um golpe com data anunciada” (site PCO, 29.03). Segundo as previsões alucinadas de Rui Pimenta, o domingo seria o “Dia D” do golpe final contra o governo do PT, tanto que sua “análise” reforçava tal devaneio: “Já está em todos os jornais. Não enxerga quem não quiser ver. E já não se trata mais de mera movimentação golpista de bastidores ou de um prognóstico político com base em informações esparsas. O golpe tem dada marcada” (Idem).” [Grifos nossos.]

Em primeiro lugar, vê-se que não se trata de uma crítica séria. Sequer se trata de uma crítica. Delírio e previsões alucinadas são termos vazios que nada significam. Todas as profecias bíblicas foram previsões alucinadas, porque partiram de alucinações, imagens de Deus na mente de seus profetas. E, diga-se de passagem, profeta é aquele que tem essas alucinações, como Trótski, o profeta armado, desarmado e banido. Três em um. Três vezes alucinado.

Não é desse profeta que a LBI se diz seguidora? E essa profeta alucinado teve visões da Segunda Grande Guerra. E a Guerra aconteceu. Ou não?

Há quem diga que foi uma profecia sem alucinações. Mas profecias sem alucinações só se dariam diante do fato consumado, o que faria da profecia testemunho. Quer dizer: não haveria profecia alguma.

No entanto, uma profecia nem sempre se concretiza. Por exemplo, o socialismo anunciado por Marx. Então, por que lutar por esse socialismo, por essa previsão alucinada?

Mas o golpe que se avizinha, além de não passar de mera profecia, é simplesmente uma prova do delírio do PCO, delírio esse que é conhecido de todos.

O delírio é tão grande que até o Partido dos trabalhadores (e o próprio Lula) começou a levar a sério esse delírio. Entretanto esse delírio não provém de uma imagem de Deus, de um sonho profético. Vem das páginas dos jornais, vem das vozes dos rádios, das imagens da televisão, das manifestações da direita e de todos os cantos do universo.

Em 811 ocorrências no Google, está escrito: “PMDB afirma: Se a manifestação do dia 12 de Abril for maior, iremos tirar Dilma.”

Seria uma alucinação? Por acaso seria isso um delírio anunciado?

O golpe tinha sim data marcada. Então, por que não ocorreu?

E, independentemente de ocorrer ou não, quando se tem indícios de um golpe, é obrigação de todo revolucionário denunciá-lo. É justamente a denúncia aquilo que pode deter o golpe.

Mas a ideia da LBI é que não existe nenhum golpe, pois a política do PT anda de braços dados com o imperialismo. Seria matéria para se debater, não fosse o fato de a LBI sempre utilizar em suas críticas argumentos como homofobia, xenofobia (que finalmente aprenderam escrever corretamente), etc. Ou seja, quem critica a LBI é xenófobo, pois a LBI é cearense. Qual é a lógica desse tipo de argumentação? Quando dissemos que esse grupo cearense é incapaz de pensar e tem dificuldade para argumentar, a resposta do grupo foi que a xenofobia é própria dos membros da família Pimenta. Alguém chamaria a isso de crítica? Alguém chamaria a isso de pensamento? Alguém chamaria a isso de argumentação?

Ademais, a LBI sempre nos trata por revisionistas, mas não se dá ao trabalho de provar o que diz; mal se dá ao trabalho de revisar os próprios textos que publica. Por isso, encontramos neles as pérolas mais ricas do pensamento político ocidental:

 

“Nos dias atuais, é fundamental resgatar o legado da vitória da resistência soviética sobre o nazismo, ainda que sob o comando de Stálin, para combater a atual ofensiva imperialista, postando-se no campo político e militar das “repúblicas populares” do Leste da Ucrânia para derrotar o governo nazifascista imposta em Kiev (como fizeram os trabalhadores do país na Segunda Guerra Mundial) a fim de avançar para a construção de um nova União das Repúblicas Socialistas Soviéticas!”

 

Por que seria isso algo fundamental? Mesmo sob o comando de Stálin? Construir uma nova URSS?

Não basta dizer que tudo isso é uma grande asneira. É preciso dizer que se trata de uma incapacidade de pensar, e de argumentar. Vamos à argumentação.

Além de ser uma sentença enorme e mal pontuada (o que bastaria para provar um defeito de argumentação), é também um disparate lógico. Para combater a ofensiva imperialista seria preciso resgatar o legado da vitória soviética na Guerra? E isso seria fundamental? Em vez de me chamarem de xenófobo (porque dizer besteiras não é exclusividade cearense), é melhor me chamar de burro de uma vez, pois eu não entendi como é possível fazer esse resgate.

Vamos, então, para o pensamento.

De acordo com o texto, teríamos de nos postar no campo político do Leste da Ucrânia como meio para a reconstrução da URSS. Quem levaria isso a sério? Quem dedicaria a vida a isso, por mais fanático que fosse? Nem o próprio Pútin acredita numa bobagem dessas.

Esse grupo que se diz trotskista e que nos chama de revisionistas almeja nada mais do que reconstruir o socialismo em um só país. Mesmo que sob o comando de Stálin.

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