A canalhice da revista Veja não tem limites

(Sobre o acontecimento de ontem na São Francisco)
Hoje, um grupo de alunos impediu que um professor fascista, Eduardo Lobo Botelho Gualazzi, desse uma aula elogiando a ditadura militar e contando escandalosas mentiras acerca do comunismo)
Eis o que diz o “colunista” da VEJA, Rodrigo Constantino:
“Vejam como agem os comunistas, esses seres jurássicos que ainda procriam e se espalham, colocando em xeque a teoria da evolução darwinista. São tolerantes, democratas, a favor do debate aberto. Só que não! São autoritários, intimidam quem pensa diferente, querem calar o contraditório no grito. Impediram uma aula sobre as tiranias vermelhas e o contexto de 1964. Invadiram a sala e humilharam o professor. É apenas assim que sabem agir: covardemente e em bando:”
Em primeiro lugar, elogiemos o estilo do “colunista”. Os comunistas são seres jurássicos que colocam em xeque a evolução darwinista. Por que os comunistas são seres jurássicos? Uma propaganda, divulgada exaustivamente pela imprensa mundial durante a década de 1990, alardeou que o comunismo estava morto e que era uma teoria ultrapassada, do século XIX. Não tiveram, contudo, coragem de admitir que o capitalismo era uma teoria do século XVIII. O estúpido “colunista”, ao afirmar que esses seres jurássicos desafiam a teoria da evolução, está, na verdade, desdenhando a teoria da evolução. Se os seres jurássicos procriam, como ele afirma, é porque a teoria da evolução é uma farsa. Por essa afirmação, percebe-se o quanto esse “colunista” é conservador. E, portanto, o ser jurássico é ele e não os comunistas.
Em seguida, o “colunista” diz que os comunistas são autoritários e intimidam quem pensa diferente deles. Em primeiro lugar, eram apenas comunistas que protestavam? Em toda a história da república brasileira, acusou-se quem divergia do pensamento da classe dominante de comunista. Qualquer um que não aceite a opinião de fascistas é comunistas; qualquer um que não aceite que se elogie a ditadura é comunista. Fica claro para mim que esse “colunista” é um verdadeiro defensor da ditadura militar. Logo, autoritário é ele.
Diz também que o professor falava contra as tiranias vermelhas e o contexto de 1964. Que esperteza! Contexto de 1964! Quanta gentileza com o “professor”. Ele não falava do contexto de 1964, ele fazia um elogio descarado da ditadura militar, a qual matou, torturou e deu sumiço não apenas nos “comunistas”, mas em qualquer um que discordasse do regime. Pergunto eu: Quem é autoritário? Quem intimida? Quem quer calar quem no grito? A ditadura já não calou muitas bocas? E muitas vidas?
Por fim, diz o “colunista” Rodrigo Constantino, defensor da ditadura, que os alunos que impediram que uma manifestação fascista, uma defesa do nazismo, fosse encenada em um centro do saber só sabem agir covardemente e em bando. Quem age covardemente é esse colunistazinho, que se aproveita da enorme circulação de sua revista para tentar calar a boca de uma manifestação. É ele que intimida quem pensa diferente. É ele que quer calar o contraditório no grito: no grito de um milhão de exemplares.
Esse alunos impediram uma aula, de fato. Quantas aulas a ditadura não impediu?
A democracia, para existir, deve, a todo custo, combater toda e qualquer tentativa de restituição da ditadura. Não deve deixar falar aquele que quer calar o semelhante. Não deve deixar manifestar aquele que quer acabar com as manifestações. Pois seria o mesmo que, em nome da liberdade, se deixasse o torturador agir, se deixasse o assassino matar.
Essa gente, como esses colunistas da VEJA, essa gente como Bolsonaro, essa gente como esse professor da USP, não deveria nunca ter direito à palavra, pois a palavra deles não tem outro objetivo que calar a palavra de todos.
Dedico esse comentário a todas as vozes que a ditadura calou, vozes que se calaram para sempre mas que para sempre serão ouvidas nos corações daqueles que têm sede de liberdade.
Lovaina, 2 de abril de 2014.

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