Os cadáveres do liberalismo

Depois de amargar 12 anos nos bastidores, 12 anos sem roubar, 12 anos fora do poder, a direita se irrita. E começa a ressuscitar os mortos.

Dessa forma, aparecem nomes por aí que a humanidade e a história já havia varrido para o lixo há muito tempo.

Um desses nomes é o do economista Ludwig von Mises, um dos últimos liberais do século XIX. Outro, a mesma época, um tal de… Böhm Bawerke, que, do alto de sua enorme arrogância, alegava ter desmentido Marx. Marx foi para a história e Bawerke para o lixo.

Mas esses economistas liberais não foram para o lixo por causa do predomínio político da esquerda. A esquerda nunca teve predomínio político, a não ser no leste europeu, numa época em que o fascismo a em alta no ocidente. Depois, veio a guerra fria e o ocidente barrava todas as produções intelectuais vinda do leste europeu. A cortina de ferro estava fechada dos dois lados. quando alguém passava para o lado de cá, virava manchete. Quando alguém passava para o lado de lá, só virava manchete do lado de lá.

Esses economistas liberais passaram ao ostracismo porque as suas ideias não tinham consistência. Nem filosófica, nem econômica, nem política, nem matemática. Não serviam nem para gerente de banco.

Outro desses cadáveres a ressuscitar foi o da “filósofa” norte-americana (de origem russa) Ayn Rand. O Dr. Frankenstein que a ressuscitou afirma que ela trocou a Rússia pelos Estados Unidos. Mas não diz, de propósito, que a Rússia em que ela vivia era a Rússia imperial e que, com a revolução, fugiu para os EUA.

O pensamento dessa senhora é uma verdadeira abominação. Defende sem pejo algum o liberalismo e da forma mais descarada e desmedida. Uma observação, e que não precisa ser muito atenta, de sua obra revela que ela faz uso de argumentos falaciosos para acusar a intromissão do Estado na economia. Por exemplo, em seu livro The Fountainhead, ela mostra um arquiteto que, apesar de ser um gênio, se recusa a aderir ao gosto público e insiste em fazer projetos segundo uma concepção individual. É uma defesa do individualismo e um ataque ao planejamento público de obras. Mas a imagem é fraca. Sobretudo se notarmos que o arquiteto em questão não é ninguém menos que Frank Lloyd Wright, que nunca teve problemas daquele tipo, sobretudo numa sociedade que preza o individualismo, que gosa de coisas com griffe, que adora exclusividades.

A falácia consiste em criar uma realidade falsa para defender um ponto de vista.

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